Imagem simbólicaForça de mísseis do Irã segue intacta após cinco meses; estoques de munições dos EUA são apontados como baixos
Cinco meses depois de Estados Unidos e Israel começarem a atacar o Irã, o Financial Times informa que a força de mísseis iraniana continua operacional e ainda atinge alvos em toda a região do Golfo. Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA disse ao presidente Trump que os estoques de munições americanos tornam questionável uma nova escalada. O presidente Pezeshkian percorreu portos, ferrovias e terminais fronteiriços danificados por ataques aéreos dos EUA, enquanto o apoio popular americano à guerra permanece abaixo de 40 por cento.
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O que aconteceu
A guerra começou no fim de fevereiro, quando forças dos EUA e de Israel atacaram o Irã em conjunto (FAZ). Um memorando de entendimento interrompeu os combates em junho, mas as forças americanas lançaram novas ondas de ataques no início de julho, com datas indicadas em 8 de julho pela TASS e em 7 de julho pelo Le Monde, e Trump então declarou o cessar-fogo encerrado, com Washington citando um ataque iraniano a uma embarcação comercial no Estreito de Ormuz. O Irã anunciou o fechamento do estreito em 12 de julho e desde então tem atacado navios que o cruzam sem autorização de Teerã (Le Monde). Os bombardeios dos EUA se concentraram no sul do Irã, ao longo do Golfo, enquanto o Irã atingiu instalações americanas no Barein, na Jordânia, no Catar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, com ataques a bases dos EUA na Jordânia que mataram militares americanos (Financial Times, via TASS). Após centenas de ataques aéreos dos EUA, analistas citados pelo FT afirmam que engenheiros iranianos reconstruíram rapidamente instalações subterrâneas e que as equipes iranianas aprimoraram a precisão e a capacidade de penetração de seus mísseis de médio alcance. O presidente Pezeshkian percorreu no fim de semana portos, pontes, estradas, ferrovias e terminais fronteiriços danificados e ordenou uma reconstrução mais rápida, segundo a agência estatal IRNA.
O olhar de fora
O jornal The National, de Abu Dhabi, argumenta que o confronto já não pode ser chamado de guerra regional: as ameaças houthis à navegação e os ataques à infraestrutura saudita, os lançamentos de drones a partir do território iraquiano contra a Arábia Saudita, e os ataques da Ucrânia, segundo relatos, a embarcações que transportam carga ligada ao Irã no Cáspio ligam o conflito à segurança europeia. Seu editorial conclui que qualquer trégua entre Washington e Teerã teria de abranger os grupos paramilitares apoiados pelo Irã no Iraque e no Iêmen para se sustentar. A agência estatal russa TASS reproduz as reportagens do FT e da AP, com ênfase nos limites do poder de fogo americano.
O que pode acontecer a seguir
O general Dan Caine apresentou a Trump cenários de escalada, junto com o alerta de que os atuais estoques de munições tornam duvidosa a continuidade da escalada (AP, via TASS); o New York Times informou em 25 de julho que Trump engavetou uma escalada acentuada por temor de esgotar os estoques de interceptores, o que Trump negou. A pausa nos ataques dos EUA e do Irã se manteve pelo terceiro dia consecutivo na segunda-feira, com Catar e Paquistão atuando como os principais canais para retomar as negociações de cessar-fogo e Omã conduzindo um canal bilateral com Teerã. Trump classificou os contatos como conversas muito aprofundadas, mas advertiu que retomaria uma ação militar muito forte. Se a navegação pelo Estreito de Ormuz será retomada, e se a reconstrução iraniana avançará mais rápido do que novos ataques, definirá os próximos passos.
United States and Israel: Washington says Iran broke the June memorandum by attacking commercial shipping in the Strait of Hormuz and that the strikes aim to destroy Iranian missiles and missile production.
Iran: Tehran says the United States violated the agreement and betrayed diplomacy for a third time, insists it fulfilled its commitments on safe passage for ships, and casts its strikes as defence of sovereignty.
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