Imagem simbólicaAções da CXMT disparam cerca de 470% na estreia em Xangai
A fabricante chinesa de chips de memória ChangXin Memory Technologies (CXMT) começou a ser negociada na segunda-feira no STAR Market da Bolsa de Xangai e encerrou o primeiro pregão em alta de 466%, após subir cerca de 470% durante o dia. A oferta pública inicial foi a maior da China continental em anos e deixou a CXMT, em valor de mercado, a empresa mais valiosa listada em uma bolsa do continente. A estreia se somou a um mercado global de chips de memória já tenso e movimentou ações de semicondutores em outros lugares.
China Coreia do Sul Estados UnidosShanghai Stock Exchange (STAR Market)
O que aconteceu
A ChangXin Memory Technologies, fundada em 2016 em Hefei, na província chinesa de Anhui, no leste do país, começou a ser negociada na segunda-feira no STAR Market da Bolsa de Xangai, o mercado inspirado na Nasdaq, também conhecido como Conselho de Inovação Científica e Tecnológica. As ações foram precificadas em 8,66 yuans (cerca de US$ 1,3) e fecharam o primeiro pregão com alta de 466%, após subir cerca de 470% durante o dia, segundo a Associated Press e o South China Morning Post.
Esse movimento deu à CXMT uma capitalização de mercado estimada em cerca de 3,3 trilhões de yuans, mais de US$ 487 bilhões, tornando-a a empresa mais valiosa listada em uma bolsa da China continental, segundo a Associated Press e o New York Times. A Associated Press descreve a operação como a segunda maior oferta pública inicial da China continental, atrás apenas da oferta de US$ 22,1 bilhões do Agricultural Bank of China em Xangai e Hong Kong em 2010.
Os recursos captados são informados de forma inconsistente: a Associated Press os estima em pelo menos US$ 8,6 bilhões, enquanto o South China Morning Post informa 66,5 bilhões de yuans, ou cerca de US$ 9,8 bilhões, valor que o Le Monde apresenta como 9,8 bilhões de euros. A CXMT é uma das maiores fabricantes mundiais de DRAM, a memória usada em servidores de IA, carros, smartphones e computadores pessoais. Sua receita nos três primeiros meses de 2026 chegou a 50,8 bilhões de yuans (US$ 7,5 bilhões), alta de mais de 700% em 12 meses, impulsionada pela demanda de IA.
Os lados
As fontes trazem enquadramentos dos veículos, não declarações governamentais. O Global Times, afiliado ao Estado chinês, apresenta a estreia como uma listagem recorde de ações classe A que reforça a confiança nas capacidades de semicondutores do país e em sua capacidade de inovação de longo prazo.
Veículos americanos leem os mesmos números como uma disputa. O Wall Street Journal enquadra a forte estreia como um impulso à investida da China para dominar os chips de memória, e, em outra matéria, como uma oferta pública chinesa que abala as ações do setor de chips. O New York Times situa a disparada das ações dentro da corrida da IA e destaca que a CXMT é agora a empresa mais valiosa da bolsa de Xangai.
O pano de fundo político é indiscutível em todos esses relatos: a CXMT está se expandindo enquanto a China busca autossuficiência em tecnologia avançada e enfrenta restrições lideradas pelos americanos que limitam o acesso a máquinas avançadas de fabricação de chips e proíbem a importação de memória de alta largura de banda (HBM), um tipo de DRAM usado em sistemas de IA.
O olhar de fora
O veículo turco Daily Sabah, reproduzindo a reportagem da Associated Press, apresenta a leitura mais cautelosa. Observa que, apesar da avaliação recorde, a CXMT continua menor que as sul-coreanas Samsung Electronics e SK Hynix e a americana Micron Technology, e destaca os obstáculos à frente, incluindo gargalos na cadeia de suprimentos.
O mesmo texto cita Kyle Chan, da Brookings Institution, que classifica a CXMT como fundamental para a investida da China em IA diante dos controles de exportação dos EUA, e descreve a empresa como a melhor aposta da China para desenvolver seus próprios chips HBM de ponta. Ele apresenta como questão em aberto se a CXMT pode ajudar a aliviar a escassez global de memória causada pelo disparado uso de IA, que elevou os preços de alguns computadores e smartphones.
O que há de novo
Até o fim de semana, a listagem ainda estava pendente, com o preço definido, mas as negociações ainda não haviam começado. Segunda-feira fechou essa lacuna: as ações efetivamente foram negociadas, e o tamanho do movimento do primeiro dia, 466% no fechamento, foi maior do que a própria oferta enquanto notícia.
Duas coisas resultaram apenas da estreia. A avaliação da CXMT superou a de todas as outras empresas listadas em uma bolsa do continente, algo que não estava estabelecido antes da abertura do pregão. E a reação se espalhou para além de Xangai: o Wall Street Journal informa que a oferta pública abalou as ações de chips, o que significa que a listagem começou a precificar a concorrência em ações fora da China, e não apenas dentro dela.
O que pode acontecer a seguir
Um caminho passa pela capacidade produtiva. Os recursos captados, sejam US$ 8,6 bilhões ou perto de US$ 9,8 bilhões, destinam-se a uma empresa cuja receita trimestral já cresceu mais de 700% em 12 meses, de modo que a produção adicional de DRAM poderia aliviar parte da escassez global de memória que elevou os preços de computadores e smartphones, ou poderia ser absorvida majoritariamente pela demanda chinesa.
Um segundo caminho passa pela defasagem tecnológica. A CXMT é descrita como a candidata mais forte da China para fabricar chips HBM domésticos, atualmente barrados no país pelas restrições americanas. Se a empresa superará os gargalos na cadeia de suprimentos apontados pela reportagem da Associated Press vai determinar se a avaliação de mercado reflete a produção já existente ou uma expectativa de capacidade ainda não demonstrada.
Um terceiro caminho passa pelas empresas já estabelecidas e pelos mercados. A CXMT continua menor que Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology, e o primeiro pregão já movimentou ações de chips em outros lugares. Mais volatilidade nessas ações, e no próprio preço da CXMT após o prêmio da estreia, testará se a avaliação de abertura se sustenta.
China: State-affiliated media present the record listing as proof of the country's semiconductor capability and long-term innovation drive under US export controls.
United States: US outlets read the debut as an advance in China's bid to take on the memory chip industry, set against American-led restrictions on advanced chipmaking equipment and HBM.
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